Do sonho a realidade

Com certeza, os prefeitos dos 853 municípios mineiros, se mantiveram atentos, ontem, ao discurso de posse do governador Romeu Zema, na esperança de que ele anunciasse alguma medida que possa aliviar, de imediato, a difícil situação financeira das prefeituras, consequência da herança maldita deixada pelo seu antecessor, Fernando Pimentel.

Zema, no entanto, foi claro ao dizer que estava assumindo um estado falido e que por isso terá que tomar medidas enérgicas para colocar a casa em ordem, citando como prioridade a regularização dos salários dos servidores estaduais que ainda não receberam o 13º salário. Citou de passagem os repasses constitucionais para os municípios, mas em nenhum momento da sua fala prometeu que fará essa transferência em dia e tampouco lembrou a dívida do estado com as prefeituras pelo calote aplicado pelo governador petista.

Com isso, o sonho de uma noite de verão do prefeito de Poços de Caldas, Sérgio Azebedo, vai pro espaço e ele terá mesmo é que encarar a realidade porque, ao contrário do que havia imaginado, Romeu Zema não possui uma varinha mágica para solucionar os problemas do estado do dia para a noite.

Na esperança de que o novo governador resolvesse a questão, o prefeito Sérgio já tinha até traçado uma estratégia para resolver a crise nas finanças municipais. Zema pagaria o atrasado (hoje em mais de R$ 100 milhões) em 37 prestações e a partir daí colocaria os repasses em dia, sem atraso.

Na estratégia do chefe do executivo poços-caldense, ele faria uma espécie de empréstimo junto ao DME, retirando algo em torno de R$ 80 milhões da reserva financeira da empresa de energia e provisionando o pagamento que seria feito pelo novo governador do atrasado ao reembolso do “empréstimo”.

Com esse reforço de caixa o chefe do executivo pagaria todas as dívidas acumuladas e a partir daí começaria vida nova com o estado repassando nas datas previstas todos os recursos provenientes do IPVA, FUNDEB, ICMS, e dinheiro da saúde que pertencem ao município.

O problema é que pela fala do novo governador, pelo menos no curto e médio prazo isso não deve acontecer, os repasses continuarão sendo feitos com atraso (se é que serão pagos) e a dívida de R$ 100 milhões deve continuar aumentando, sem previsão de pagamento.

Portanto, é hora de botar o pé no chão e começar a tomar medidas para tocar a prefeitura com os recursos próprios e aqueles que estão garantidos pela União, isso além de reduzir de maneira drástica as despesas para adequar os gastos a receita, aliás, como já vem fazendo prefeitos de várias cidades de porte médio cujos prefeitos nunca confiaram na varinha mágica do novo governador.

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